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A António Inverno

Quando o autor é um amigo, não é fácil escrever sobre as suas obras de arte sem se cair na cumplicidade do elogio desmedido, como não é fácil para o autor, artista criador, percorrer os caminhos que envolvem as artes. Quem escreve sobre alguém, tem o dever de dizer com isenção e rigor, aquilo que pensa do homem e da sua obra, pois aquele que cria uma pintura, escultura ou outra obra de arte, está a dar aos outros que lhe vai na alma e um pouco de si mesmo e, por tal facto, merece total respeito e admiração.

É nesta relação dramática de cumplicidades mútuas entre brancas casas e ruas de xisto envolvidas em muralhas, no alto do monte onde se ergue Monsaraz e nasceu António Inverno, que ainda sem o conhecer, tive contacto com obras suas. Hoje, conhecendo melhor, quer o homem, quer a sua obra, sabendo que nasceu e cresceu entre obras de arte e que essa relação lhe permitiu desvendar os seus inúmeros segredos, podemos dizer com sinceridade consciente e sem medo de cair em excessos, que a sua pintura possui a força e a riqueza da sua força de viver. Que acompanha a herança da utopia, do sonho do seu Alentejo. Que essa sua pintura possui um movimento constante, que reflecte a paixão permanente com que encara a vida e tem as cores da honestidade, da humildade e da fraternidade que pautam a sua existência.

Silvestre Raposo

É com este texto de Silvestre Raposo, que em Painel de entrada, se fez a abertura de Exposição de António Inverno, na Madeira.